quinta-feira, 22 de março de 2012

Sem sono, deitei-me em meio ao calor vespertino e rezava sem fé pra ele.
Eu andava sobre sementes verdes, e sentia na pele o formato que se desmanchava com o peso do meu corpo. Passei por um belo, colorido e gigantesco ramalhete, onde pétalas macias caiam sobre minha pele e filtravam minha mente e alma ao mesmo tempo, mas em compassos diferentes.
As sementes terminaram. E meus pés, relaxados e rosados não doíam mais.
Sem que eu percebesse como aconteceu (ou talvez eu não me lembre), meus braços sem ossos foram envoltos por uma grossa camada de flores cintilantes. E eu respirava através do misto de perfumes doces, cítricos e azuis.
Permaneci hipnotizada pela sequência interminável de cores, enquanto minhas pupilas oscilavam de deslumbro.
Sem lágrimas, sem riso. Sintonizada.




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