quinta-feira, 22 de março de 2012

Sem sono, deitei-me em meio ao calor vespertino e rezava sem fé pra ele.
Eu andava sobre sementes verdes, e sentia na pele o formato que se desmanchava com o peso do meu corpo. Passei por um belo, colorido e gigantesco ramalhete, onde pétalas macias caiam sobre minha pele e filtravam minha mente e alma ao mesmo tempo, mas em compassos diferentes.
As sementes terminaram. E meus pés, relaxados e rosados não doíam mais.
Sem que eu percebesse como aconteceu (ou talvez eu não me lembre), meus braços sem ossos foram envoltos por uma grossa camada de flores cintilantes. E eu respirava através do misto de perfumes doces, cítricos e azuis.
Permaneci hipnotizada pela sequência interminável de cores, enquanto minhas pupilas oscilavam de deslumbro.
Sem lágrimas, sem riso. Sintonizada.




terça-feira, 20 de março de 2012


De acordo com o céu,
minha alma vai se encharcar,
e meu coração
 bater mais devagar.

Se o céu não tivesse razão,
de que valeria toda a emoção
de me deitar na chuva
e me afogar?

sábado, 10 de março de 2012


Sinto meu rosto desmanchar-se lentamente, como uma vela. Descobri maneiras de aliviar a dor da alma por instantes, e isso te assusta.
 A vida escorre pelo dedo.
Não fique deprimido, jovem. Talvez isso se pregue em sua alma, antes que você possa ver a luz do dia. E aí, você dará um triste e profundo suspiro quando alguém te disser que tudo ficará bem.
Eu digo pra você o que não quero que passe. E logo não mais poderei dizer. Mas antes, quero meus ossos de volta, pra espremer esse absurdo que me persegue. Quero arrancar sua superfície com os dentes, seja lá do que for feita, e inevitavelmente sangrar junto.
Olhe pra mim com os olhos opacos e distantes, e me aproxime do meu dia. Encha-me o peito de coragem e certeza, pois não há mais o que possa ser feito.