Dias atrás, ela secou sua visão matutina com as pernas enfáticas e desnudas pelo vento que entrava pelas fendas da cortina. Penetrava devagar e trêmulo. Vento úmido.
Seu coração berrava, se via. Se não via, sabia.
Sua pele se rompia com um misto doloroso de sensações engraçadas. Rasgava devagar os papéis, as cenas e os ombros. Desenhava com os pés, uma pergunta.
Será que podemos fazer alguma coisa pra aceitar que a vida seja tão breve?
Observava em seu corpo, os seus caminhos, suas entradas e seus ninhos, suas saídas e seus fios, suas pontas e pintas. Suas tantas linhas de assombro.
Não ouvia nada. Se deu conta de que só pensava. Queria mesmo resposta?
Talvez só quisesse um poema quebrado
molhado
borrado
desgarrado
adoçado
impensado e pintado nas extensas praias vazias onde o mar nunca chegou. Ou e. No lugar escolhido pelo qualquer um, onde suas palavras eram montadas uma a uma, formando paredes de nada.